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COMO DIAGNOSTICAR EM SAÚDE MENTAL!

Atualizado: 30 de Jun de 2020

O desconhecimento e a desinformação são frequentemente as principais fontes de alimento da discriminação. Conhecer, reconhecer, identificar são as melhores armas para combater o estigma.


Ao longo dos anos os efeitos da literacia em saúde na identificação sintomas, patologias e formas de tratamento tem desempenhado um papel fundamental na sociedade portuguesa. Recorde-se dos efeitos de campanhas ligadas à cessação tabágica, violência doméstica, diabetes ou doenças oncológicas.



Mas no que diz respeito à Saúde Mental, no entanto, são consideráveis as confusões sobre categorias diagnósticas, efeitos das medicações, e possibilidades de tratamento e eficácia.

Por isso, comecemos pelo início...


A psicopatologia e a psiquiatria no geral sempre tiveram de enfrentar dificuldades que em muito se distinguem das restantes especialidades da medicina. Enquanto os avanços em anatomia e outras especialidades beneficiavam da vantagem de terem como objecto de estudo algo observável. A evolução de metodologia e instrumentos de observação permitiram tornar os diagnósticos cada vez mais robustos.


Enquanto isso a Saúde Mental permanecia na invisibilidade. Os avanços na neurociência não conseguiram acompanhar a evolução das restantes áreas do conhecimento, e a ligação entre as descobertas neurocientíficas e a psicopatologia não eram, e continuam a não ser, imediatamente evidentes.

Daí resulta que os quadros diagnósticos em psiquiatria têm, ainda hoje, de depender da observação, descrição e categorização do comportamento humano, e não de marcadores biológicos mensuráveis.


Uma vez que existem muitas leituras possíveis do comportamento humano, existem muitas formas diferentes de o observar, descrever e categorizar.


Talvez seja este um dos principais motivos que leva à considerável confusão do público no que diz respeito aos diagnósticos em saúde mental.

Apesar da complexidade do tema, e das divergências que foram surgindo na literatura científica ao longo da história, um manual ganhou terreno e consenso. O Manual de Diagnóstico e Estatística procura ser uma ponte ligação entre as diferentes teorias psicológicas, ao propor ser ateórico. O que passa a interessar no diagnóstico não são as leituras teóricas que se podem fazer de determinado diagnóstico, mas sim uma noção de normalidade e patologia que se inscreve numa lógica estatistica. Um comportamento ou processo mental que seja demasiado frequente ou nada frequente pode determinar a diferença entre a normalidade e a patologia.


A palavra diagnóstico tem origem no grego διαγνωστικός (diagnósticus). Δια- significa através e  -νωστικός conhecimento.

Esta é a importância do diagnóstico, a sua capacidade de propor um caminho terapêutico através do conhecimento. Se é verdade que os diagnósticos devem ser feitos por técnicos especializados, é igualmente verdade, que o publico em geral deve ter a capacidade de conhecer e reconhecer a especificidade dos diagnósticos, e as possibilidades de tratamento, de modo a possamos todos desenvolver sentido crítico e capacidade para recorrer a terapêuticas cientificamente sustentadas.

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